• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Viticulture (Ludofy)

      Quando criança todos nós temos sonhos irrealizáveis: ser um famoso jogador de futebol, um astronauta, piloto de caça ou dominar o mundo e instituir um regime de governo duro, porém justo.



      Como o tempo passa e não conseguimos realizar nenhum destes sonhos é normal que transfiramos estes desejos para nossos hobbys. E que ambiente melhor do que nos tornarmos qualquer coisa que quisermos do que os jogos?

      É por isto que Viticulture assusta. Quem é que em sã consciência pensou quando criança em se tornar um herdeiro de uma vinha e levá-la a prosperidade?



      Assumindo o papel de dono desta vinha em decadência, o papel de cada jogador (1 a 6) é reconstruir sua adega, recuperar sua plantação, levar turistas para ver a sua fazenda e, claro, fazer vinhos. A qualidade deles será importante na hora de ir ao mercado e atender os diversos pedidos de compradores interessados.

      Cada turno representa um ano, divididos em cada uma das estações. No verão é impossível fazer uma ação de inverno e vice-versa, o que eleva, de alguma forma, a estratégia do jogo, já que é importante não enviar todos os seus trabalhadores na parte do tabuleiro do verão, ou ações importantes do inverno são perdidas.



      Escolher qual parreira plantar, quais visitantes aceitar, quais campos colher e, principalmente, quais vinhos executar. Todas estas são decisões importantes em cada uma das rodadas de Viticulture.

      Pontos Positivos

      Essencial! - A edição lançada no Brasil é a edição essencial que já conta com algumas mudanças de regras e módulos que não havia no jogo original e melhoram bastante a jogabilidade. É a edição certa a se ter.



      Ma che bellaAlém de um tabuleiro belíssimo, cada uma das construções tem o seu formato único, ao ponto do exagero. As peças que representam as uvas e os vinhos são um charme à parte.

      Adaptado para vencer – O tabuleiro resolve muito bem o diferente número de jogadores possíveis. O jogo fica “apertadinho” independente do número de jogadores. Uma necessidade para amentes da alocação de trabalhadores.



      Pontos a considerar

      Peraí, já acabou? – O jogo termina no ano em que qualquer jogador passa dos 20 pontos. Considerando as cartas de verão e inverno, além dos pedidos de vinho é possível fazer muitos pontos numa rodada só, se bem orquestrado. Isto pode levar jogadores inexperientes a se frustrar com o fim do jogo.

      Nem sempre coração de mãe – O jogo permite até seis jogadores. Embora Viticulture não perca em qualidade com esta quantidade de jogadores, ele aumenta exponencialmente em tempo. Será que vale ficar observando a sua uva crescer no pé enquanto tantos outros jogadores tomam suas decisões que pouco interferem na sua vida?



      Não basta boas uvas, é necessário sorte – Em um jogo que as cartas são importantes, ter as melhores cartas é meio caminho para a vitória. Um bom jogador pode ficar para trás apenas por uma sucessão ruim de compra de cartas. Raro, mas possível.

      Pontos Negativos

      Ela seria tão boa se...- As cartas de visitantes do verão e do inverno são fundamentais para uma boa estratégia de Viticulture, mas algumas delas são claramente voltadas para um determinado número de jogadores (3 a 4). Elas são muito fracas quando se jogado em dupla e potencialmente fortíssimas se jogadas em 5 ou 6 jogadores. Faltou equilíbrio.



      Toscana? – Apesar de Essencial, a nova edição de Viticulture deixou de lado inúmeros módulos da expansão Toscana. Estes módulos adicionam muito ao jogo e até agora a Ludofy não informou se a expansão será lançada no Brasil.




      “Seria ótimo jogá-lo com uma tomando vinho... Ah?! Sim, serve suco de uva mesmo.”
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