• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Mansion of Madness (Galápagos)

      Entrar em uma mansão mal-assombrada. Resolver quebra-cabeças e identificar pistas. Descobrir qual é o mistério por trás de um crime. Quem nunca sonhou em se tornar um investigador de filmes de aventura da década de 1980? Bem, seus problemas acabaram.


      Assumindo o papel de investigadores em Mansion of Madness – Segunda Edição, cada jogador deve fazer exatamente isto. Mas, pera aí, segunda edição?

      A principal diferença entre a versão lançada pela Galápagos em relação à primeira versão do jogo é que não há um overlord, ou seja, a necessidade de um jogador controlar as ações de monstros, de criar a aventura por si. Tudo é feito por um aplicativo de celular, tablet ou Steam.

      Os jogadores entram na mansão (ou numa cela, ou numa catedral, dependendo da missão) e devem realizar duas ações por turno que variam entre andar, investigar locais, abrir portas, conversar com pessoas, atacar monstros e outras menos comuns como arrastar objetos, apagar (ou criar) fogo, etc.


      Após a fase dos investigadores há a fase do mito, onde o aplicativo indica a movimentação dos monstros, seus ataques, além de outros efeitos nefastos. O ciclo se repete até que os investigadores consigam solucionar os mistérios ou ficarem completamente insanos ou mortos no processo.

      Como em um RPG de mesa, a rolagem de dados é constante para a realização de testes de força, agilidade, observação, etc, e claro, para a solução do combate propriamente dito. Além disso, há alguns quebra-cabeças realizados no aplicativo, mas de maneira geral são os status dos personagens e a rolagem de dados que influencia a grande maioria dos resultados.


      Com uma narrativa marcada pela influência do escritor H.P. Lovecraft é inegável que Mansion of Madness – Segunda Edição é uma das experiências mais temáticas que é possível ter em jogos de tabuleiro atualmente. Embora muitas vezes o medo não seja da mítica criatura que está à sua frente destruindo a sua sanidade, mas em relação a sua má sorte na rolagem de dados.

      Pontos Positivos

      Imersão! – Há muito debate se aplicativos de celulares devem ser incorporados num hobby que tem como premissa básica se desligar do mundo exterior. Mas é inegável que o aplicativo faz um belíssimo trabalho em organizar tudo sobrando aos jogadores apenas o “trabalho” de se divertirem.

      De complexo, basta o mito – Inúmeros jogos no estilo se perdem em regras e mais regras. Mansion of Madness pode ser explicado em dez minutos. Basta uma pessoa saber como gerir o aplicativo e os outros jogadores podem se preocupar apenas com suas ações no jogo. Perfeito até para aqueles que não estão acostumados com jogos de tabuleiro modernos.


      A beleza do horrível – As miniaturas, apesar de algumas só pararem em suas bases utilizando cola, são um show à parte. Tão lindas que dá vontade até de pintá-las. A vontade passa quando você lembra de seus livros de colorir da pré-escola. Mas, ainda assim, lindas.

      Pontos a considerar

      A sorte está nos dados – Há aqueles que amam, há aqueles que odeiam. Se você não suporta a ideia de sua estratégia magnifica ser estraçalhada pelo resultado de dados, este não é seu jogo. Primeiro porque não há espaço para grandes estratégias, segundo porque se rola dados a todo o momento.


      Já é segunda-feira? – Mesmo os cenários mais rápidos demoram, ao menos, uma hora e meia. Cenários mais longos podem chegar a mais de 6 horas. Considerando a enorme quantidade de peças para se colocar na mesa e tirar, não é um jogo para se começar a jogar pouco antes de ir dormir.

      O aplicativo – Embora hoje (quase) todos tenham acesso a celulares, tablets e computadores, ele é fundamental para a jogatina. Não há como um jogador assumir o papel do mito. Muitas vezes o aplicativo rouba a atenção para ele, deixando o tabuleiro, que deveria ser o mais importante, em segundo plano.


      Você não era meu amigo? – Quando um investigador chega a zero de sanidade, ele pega uma carta de insano que lhe abre um possível novo objetivo no jogo. Algumas destas cartas (que são secretas) adicionam elementos de traição e mecânicas que não são básicas no jogo. Se um novato pegar uma destas cartas, ele pode não saber como agir. O elemento de traição pode levar também a um final anticlimático para o jogo.

      Pontos negativos

      Só isso? – São poucas as missões disponíveis no aplicativo. Muito poucas, na verdade. O jogo base lhe dá acesso a quatro cenários. Cada expansão de miniaturas e tiles lhe traz outra missão e há um outro cenário disponível no aplicativo por R$ 10,49 (preço do Steam em julho de 2017) que nem foi traduzido para o português ainda. Apesar de haver rejogabilidade no mesmo cenário, ainda há poucas opções.


      O custo – Evito trazer a discussão de valores, afinal cada um sabe da sua carteira, mas é inegável que o valor de 450 reais para um jogo, mais 230 por caixa de expansão (são duas) é um valor alto para um jogo de tabuleiro. E quando se lembra que novecentos reais lhe dão acesso a apenas seis missões é impossível não relativizar o preço.
      Comentários 1 Comentário
      1. Avatar de Safra Nova
        Realmente o preço é elevado, mas quem jogou o Mansions 1 sabe o tanto que o jogo melhorou nessa versão, principalmente para quem jogava de overlord. Poucas missões? Sim, mas elas acabam tendo 3 finais diferentes cada uma, o que aumenta um pouco a rejogabilidade do jogo. Fora que tem muita gente fazendo conteúdo extra no Valkyrie, mas admito que essa funcionalidade só é acessada por quem realmente está determinado em jogar novas missões do jogo.
        Resumindo: Um grande jogo, por um grande preço! Deve vender mais quando começarem as promoções. Espero que a GJ traga as expansões e traduza logo o conteúdo dlc.
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