• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Gold West (Kronos)

      Alguns jogos de tabuleiro moderno se esforçam bastante para atrelar mecânica ao tema. Outros exigem das pessoas da mesa uma certa dose de imaginação para transformar aquele cubo de madeira ou plástico em uma doença mortal ou a representação de um produto qualquer.


      Em Gold West, apesar de todo o esforço de tentar trazer o faroeste e a corrida ao ouro do oeste norte-americano, você vai precisar muito mais do que imaginação para se convencer de que aquelas pequenas peças de madeira significam a expansão de um império minerador no século XIX.

      Dito isto, para muitos não há nada de errado em manipular pecinhas de madeira sem grande significado temático, desde que seja divertido fazê-lo. E, em Gold West, é divertido.

      Em cada turno, o jogador deve escolher uma de suas casas no seu tabuleiro, recolher toda a madeira, pedra e minérios – também conhecido como pecinhas de madeira de diferentes cores – e movimentá-las, deixando uma peça em cada espaço por onde você passou.

      Depois disto, o jogador escolhe suas ações para cada material que retirou de seu tabuleiro. Ações que tendem a avançar numa trilha para conseguir pontos, construir um assentamento ou pegar uma carta de pontuação, por exemplo.

      O ponto mais primordial de Gold West é que, ao escolher o local do assentamento, o jogador está escolhendo os recursos, digo, pecinhas de madeira, para os próximos turnos. Sua colocação em seu tabuleiro é fundamental para o sucesso dos próximos turnos.


      Passadas algumas rodadas, conta-se quem conseguiu gerar mais pontos durante as várias rodadas nas diversas ações possíveis.


      Pontos positivos

      Risco ou recompensa – Ao pegar os recursos, o jogador escolhe colocar as peças num local que vale mais pontos, mas dificultará as próximas jogadas ou ganhar menos pontos e facilitar o próximo turno. É um raciocínio divertido que ocorre todo o final de turno.

      Rápido no gatilho – Alguns jogos, apesar de bons, costumam demorar um pouco mais do que o necessário. Gold West é o inverso, termina sempre deixando aquela vontade de jogar um pouco mais.

      Pontos a considerar

      Madeira de lei – A Kronos arriscou e lançou pela primeira vez um jogo no Brasil com componentes de madeira feitos no país. Sua aposta foi, na sua maior parte, bem-sucedida. Apesar de algumas peças menores ou com corte diferente do original, a pintura delas está com padrão encontrado em jogos internacionais, principalmente as peças que representam os metais.

      Faroeste? – Por mais esforço que possa ter tido, não há nada em Gold West que faça lhe sentir um desbravador do oeste norte-americano ou ainda um dono de um grande império minerador. Seu objetivo é organizar pecinhas de madeira e o tema é tão raso quanto isto.

      Pontos negativos

      Segura ai, que eu forço ali – Quase um ano de atraso de sua pré-venda deixada de lado. Com a desculpa de garantir a resistência das peças de cartonado, elas foram produzidas mais grossas do que a versão internacional. O problema surge, pois, o corte delas não é exato, o que acaba forçando o tabuleiro externo, onde todas as peças são encaixadas. Estes componentes destoam da qualidade do restante do jogo.


      Roupa suja e mal lavada – A sensação de abrir Gold West pela primeira vez é ter comprado um jogo usado. Peças soltas, cartas sem lacre, sem cartonados para destacar. Depois de conhecer e abrir dezenas, centenas de jogos é difícil afastar a sensação de que a produção de Gold West foi amadora.

      Consideração final: Gold West é um bom jogo que agrada novatos e veteranos. Rápido, mas com alguma profundidade deve agradar principalmente aos amantes de euros leves e médios. Sua produção passou por inúmeros problemas, mas a qualidade do jogo em si deve sobrepor estes percalços, principalmente para um consumidor menos exigente.
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