• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Ethnos (Conclave)

      É comum se referir a Ethnos como: “O Ticket to Ride do controle de área”. Faz sentido, assim como o “primo famoso”, há apenas duas ações comumente feitas numa partida de Ethnos: escolher uma carta ou apresentar um set e colocar o seu prêmio no tabuleiro.

      Tendo jogado Ticket to Ride e lido o parágrafo anterior já é possível ter uma boa noção do que Ethnos se trata. Para o bem e para o mal, há pouco mais do que apenas isto.

      Sim, a principal ação desempenhada em Ethnos é, de fato, comprar cartas. Mas elas não se diferem apenas pela cor, mas também pelas raças fantásticas que cada uma representa. E sim, a ação secundária é baixar as cartas e adicionar uma peça no tabuleiro.

      A escolha estratégia fica em qual dos territórios o jogador irá adicionar a sua peça – o que quase sempre é uma opção óbvia e qual carta servirá como líder do grupo, já que isto garantirá ao jogador o poder daquela raça com um efeito imediato.

      Os efeitos são bem pensados, embora ninguém possa dizer que não houve um certo esforço em garantir que as raças genéricas de fantasia como esqueletos, gigantes e feiticeiros, fossem representadas, nenhuma das opções realmente aprofunda o jogo além do básico.

      Passadas três vezes por todo o baralho, representando as eras do jogo, a pontuação é contada mais uma vez, ganhando-se pontos pela liderança em cada uma das seis regiões e pelos sets de cartas jogados durante a era, dando fim ao jogo.

      Não há muito mais o que se falar de Ethnos, porque não há muito mais jogo em Ethnos.

      Pontos positivos

      Todo mundo na mesa: Ethnos tem algo raro para jogos de tabuleiro. É simples, rápido, não é um party-game e ainda assim funciona bem com até 6 jogadores. Como as ações são simples (comprar uma carta ou baixar as suas cartas e adicionar uma peça ao tabuleiro), quase não há tempo entre um turno e outro.

      Grande sacada!: Resolvido um problema comum em jogos onde criar uma coleção de cartas é importante. Limitando a 10 cartas no máximo na mão e obrigando o jogador que desce o seu set a disponibilizar as cartas não usadas para a compra de outros jogadores, Ethnos faz o jogador pensar se vale a pena arriscar continuar pescando “aquela” carta que falta. Simples e eficaz.


      Pontos a considerar

      Bora jogar?: É possível explicar o conceito básico de Ethnos em menos de 3 minutos. Gasta-se, entretanto, mais tempo explicando o que cada raça escolhida naquela partida faz, já que várias adicionam tabuleiros extras, por exemplo.

      Raças legais, mas...: Os poderes de cada uma das raças adicionam alguma estratégia ao jogo e se não há grande pretensão temática, ao menos são divertidas. Por outro lado, Ethnos grita por expansões que, ao que tudo parece, não serão lançadas já que o jogo foi lançado a mais de um ano e meio lá fora e nada foi anunciado até o momento.

      Pontos negativos

      Arte?: A beleza de um jogo é discutível, claro. Mas 9 em cada 10 pessoas afirmarão que Ethnos é um jogo feio em todos os sentidos. Nem os componentes, carro chefe da CMoN chamam a atenção, embora extremamente funcionais. Quanto ao 1 dos 10? Ele está errado.

      Insert bem-feito, desnecessário dizer que com sleeves as cartas não cabem.

      Era necessário um tabuleiro?: Além de ser completamente desnecessário, podendo ser substituído por um conjunto de trilhas ou até mesmo papel e lápis, o mapa de Ethnos consegue ser ainda mais horrendo (e destoante) que o restante da arte. Além disto, a posição das regiões não é explorada por nenhuma das raças. Um controle de área onde o controle de qual área você está não faz diferença, além da pontuação aleatória. Fascinante.

      Consideração final: Ethnos está longe de ser um jogo ruim. Fácil de ensinar e de aprender, é rápido, mesmo para uma mesa de 6 pessoas. Mas sua pouca variedade de raças e sua simplicidade quanto ao controle de área dificilmente prenderá alguém por mais de duas ou três partidas. É um jogo voltado principalmente para apresentar a novatos, antes de mudar para algo com mais consistência.
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