+ Responder Tópico
  1. #1
    Membro
    Info Conteúdo e Citações Jogos Mensageiros
    Registro
    Jan 2003
    Mensagens
    717
    Verdinhas
    0

    História dos Hackers

    A Origem dos Hackers
    Postado em: Tuesday, February 18 - 21:31:06 CET
    Tópico: Hacking
    Aproveitando que o Mitnick saiu da cadeia e finalmente pode sentar-se na frente de um navegador, eu escrevi um artigo falando sobre os hackers, quem são, de onde vieram e para onde vão.
    Muita gente pode achar esse texto absurdo, mas é porque não conhece a verdadeira história por trás dos hackers, e deviam ler "The Hackers Crackdown" e "The Hackers Handbook"...

    Leia o artigo



    No princípio não existiam programadores. Não existiam compiladores, nem debuggers. E a informática pairava sobre o abismo. Era o caos absoluto, a mais completa escuridão.
    Nesse mundo os computadores eram programados com fios, o hardware era o software. E era assim que funcionava, ou quase funcionava. Era um mundo dominado pelo Univac, Eniac e assemelhados. Amebas digitais...
    Depois surgiram os computadores da IBM e da Cray, com memória, com software. Era a nova geração, o futuro brilhante, mais um passo na computação. Um gigantesco salto. Agora não era preciso abrir uma sala, arrancar um maço de fios da mala e sair conectando em vários terminais para reprogramar alguma coisa. Era só sentar num teclado enorme e digitar comandos em uma linguagem alienígena, hoje conhecida como binário, ou numa variante dela, o hexadecimal. Mesmo sendo um salto imenso, ainda não era nada amigável. Nada mesmo.
    Então, num dia qualquer, em uma sala do MIT, num cérebro privilegiado, surgiu uma idéia: "e se fizéssemos um programa que convertesse uma linguagem mais humana em linguagem de máquina?" Era a concepção dos compiladores.
    Por algum tempo gênios trabalharam nessa idéia, e algum tempo depois, na Meca da tecnologia computacional, surgiu o primeiro compilador. E os primeiros mestres da computação eram denominados "hackers" (Etimologicamente, hack significa cortar, um corte seco e rápido. Algo do tipo...).
    Esses hackers eram cultuados, eram idolatrados. Eles criaram os compiladores, criaram os debuggers, interpretadores, começaram fazer sistemas operacionais. Eles fizeram as bases do que hoje chamamos computação.
    Eles fizeram surgir o MS-DOS, o Unix, o MacOS. Não que diretamente tenham feito eles, mas lançaram as bases do processo. Gerenciamento de memória e processos, uso de armazenamento, controle de dispositivos. Tudo feito pelos pais da computação. Eles fizeram os computadores saírem dos laboratórios e irem para as universidades. E fizeram eles irem das universidades às garagens.
    Steve Wosniak e Steve Jobs são dois nomes expressivos da computação desse período. Munidos de um Fusca e uma calculadora científica, criaram o primeiro micro realmente popular. Eles venderam alguns bens e criaram a Apple. Tentaram vender seu projeto para a HP, mas ela disse que não queria eles porque eles nem tinham terminado a faculdade. Então eles fizeram sozinhos.

    E então surgiu a internet.
    Inicialmente, a internet era ligada ao governo americano, mais especificamente aos seus sistemas de defesa. Mas o governo acabou abrindo o acesso à universidades, e assim os hackers do MIT começaram fazer também implementações de protocolos para a rede. Eles interligavam micros, interligaram universidades, interligaram os gênios de todo o país. Era um outro salto...
    Mas a internet era bem diferente do que conhecemos hoje. Nada de email, era coisa paga. Web? Como, se nem tinha mouse? Chat? Bom, o chat existia, e tinha uma história interessante. Um dia, uma empresa resolveu colocar os usuários teclando com os operadores para resolver seus problemas. Mas os usuários só podiam teclar com os operadores, entre eles não tinha como. Então um cara foi visitar um amigo, viu o sistema e fez umas mudanças, e os usuários começaram se comunicar entre si. O responsável pela companhia decidiu deixar isso acontecer, e nasceu o chat. Uma alteração de um sistema existente.
    Então começaram os problemas. Os hackers já não eram apenas um grupo restrito de experts em programação, mas alguns especialistas em internet entraram na jogada. Nesse tempo especialistas em telefonia queriam também ser incluídos no grupo, e foi criado uma denominação especial para eles, os phreackers. Já os especialistas em internet e redes em geral ficaram como hackers mesmo. Então o nome hacker ficou denominando algo mais heterogêneo, de superprogramadores a especialistas em redes e protocolos. O problema não foi incluir experts em segurança no grupo, mas experts sem ética.
    Então a interligação de sistemas colocou juntos universitários com uma idéia na cabeça e um micro na mão, uma expressão que eu já usei se referindo a criadores de vírus. As circunstâncias não eram as mesmas, mas o motivo era parecido. Nesse tempo alguns começaram a explorar os sistemas em que estavam, mais notadamente o Unix, made by hackers. Assim surgiram os primeiros hackers "lendários", os hackers como conhecemos hoje.
    Mas o nome hacker começou ser mal visto quando os pseudo-hackers começaram causar prejuízos. Os hackers "de verdade" então cunharam o termo cracker, ou criminal hacker, hacker criminoso, para designar os dissidentes baderneiros e tentar salvar a própria reputação. Mas a mídia ignorou isso, e colocou tudo na mesma categoria. "Você usa a internet? Então é hacker, não importa o que faça...".
    Esse período coincidiu com um evento histórico no cybermundo: Morris fez o que seria o pai do Melissa e BugBear, um worm. Esse worm fazia uso de uma vulnerabilidade do sendmail para de replicar e contaminar outros sistemas, causou grande destruição e praticamente derrubou a internet.
    Isso acabou de vez com a imagem do hacker bonzinho, mesmo que isso não foi coisa de hacker. Para explicar o que fez, Morris disse a célebre frase: "Foi um erro, sinto muito....
    Quase me esqueci dos BBS's, a febre dos tempos do PC-XT. Garotos equipados com poderosos Commodore-84, TK-Color e CP200 e um modem começam a procurar modos de usar o BBS e aumentar seu saldo de horas. E conseguiam. Então mais ou menos nesse período foi feito um filme falando de invasões de computadores, Wargames, um outro marco no mundo digital. Isso triplicou a venda de modens e fez disparar o número de usuários dos sistemas online como Prodigy, Genie, Fido e America Online (sim, eles já existiam). O governo americano já tinha aberto a internet para além das universidades, e a internet deixou de ser usada apenas por universitário e começou a ser usada também por garotos inteligentes, curiosos e revoltados. E começou a baderna digital. Wargames inspirou muitos garotos aspirantes a famosos e eles começaram atacar servidores americanos, sistemas do governo. Começaram as guerras, os clãs e coisas do tipo.
    Dois clãs muito ativos agitaram a internet no final dos anos 80: LOD e MOD, Lords of Destruction e Masters of Deception. O LOD surgiu primeiro, mas Mark Abenne, ou Phiber Optik, brigou com o líder do LOD e criou o MOD com mais alguns dissidentes. Eles brigavam pra ver quem era o melhor grupo. Mas foram longe demais. Mas o MOD dominou os servidores de uma rede de televisão, a polícia interveio e acabou prendendo Phiber e os seus colegas. Já o LOD não me lembro como acabou.

  2. # Publicidade
    Publicidade

  3. #2
    Membro
    Autor do tópico
    Info Conteúdo e Citações Jogos Mensageiros
    Registro
    Jan 2003
    Mensagens
    717
    Verdinhas
    0

    A rede de telefonia era outro "parque de diversões" para os hackers, que geralmente eram phreakers também. Certa vez Kevin Poulsen (acho que se escreve assim) ganhou um Porsche na promoção de uma rádio por ser o 109° a ligar para eles. Mas Kevin tinha controlado a central telefônica, e foi fácil. Mas ele perdeu o carro e a liberdade porque um amigo dele tinha tirado fotos dele mexendo em um trailer da companhia telefônica.
    Para ligar sem pagar, para não ser rastreados, controlar centrais telefônicas e outras coisas, os hackers começaram o desenvolvimento das chamadas boxes. Black box, blue box, lightening box, rainbown box. Cada uma fazia uma coisa. Mas algumas boxes tinham defeito e acabavam derrubando um tronco telefônico, queimando sistemas. Pequenos defeitos.
    Mas um evento marcou para sempre o underground: um grande crash no sistema de telefonia americano em 1990 (?). As causas da falha não foram esclarecidas: hackers disseram que foi um bug do sistema, o governo americano disse que foram os hackers. O que aconteceu em seguida foi uma verdadeira inquisição: clãs inteiros presos, BBS's fechados, computadores apreendidos. Foi o Hackers Crackdown, que até virou um livro, distribuído de graça na internet. Leitura recomendada!
    Isso colocou um fim em um dos estágios do underground. Então os remanescentes começaram se preocupar muito mais com suas ações, e o governo americano também. O governo americano agora tinha uma agência só para cuidar da segurança da internet.
    A telefonia celular já estava na moda, e outro phreaker, Kevin Mitnick, começou ganhar fama. Ele começou como phreaker da telefonia convencional, depois da celular. Mas ele precisava de informações confidenciais, então começou vasculhar a internet e acabou nos sistemas do governo. Kevin era um gênio, e praticamente qualquer computador podia ser acessado por ele. Ele então buscava dados sobre um sistema para ocultar seu celular, reprogramação. Se ele conseguisse isso, seria indetectável, invulnerável. Seu alvo: o computador de Tsutomi Shimomura, especialista em segurança, que trabalhava no governo.
    Ele conseguiu entrar. Em 35 segundos ele tinha ganhado acesso ao micro de Shimomura, criado uma conta para ele mesmo e estava copiando os arquivos. Mas Shimomura descobriu que os logs estavam sendo alterados: Kevin apagando os rastros. Kevin mandou os arquivos para um email. O destinatário nem sabia o que se passava, mas para azar de Kevin era um especialista em segurança, que contatou o governo. Uma equipe foi designada para vigiar o servidor. Quando Kevin foi pegar os arquivos, o grupo o rastreou. Ele foi julgado e condenado por roubar informações confidenciais. Foi preso e condenado a se manter longe de celulares e computadores. Foi libertado recentemente.
    Os "hackers" de hoje, que desfiguram sites e acham o máximo, surgiram mais ou menos na primeira metade dos anos 90. A Web estava nascendo, e os sites eram superbásicos, os servidores ultraleves, já que o HTML 1.0 não dava muita margem para invenções. Então algumas companhias começaram pensar em modos de extender o HTML. Surgem então os programas para CGI e as extensões para servidor.
    Nossa conhecida Microsoft então lança as Extensões do Frontpage. Era uma forma de expandir o HTML com buscas, formulários, acesso a arquivos. Mas eles inovaram tanto que esqueceram da segurança, e qualquer criança poderia alterar o site de alguém que tivesse um servidor com extensões Frontpage. Esse foi o que marcou o nascimento da escória hoje conhecida por script kiddiez.
    Script kiddiez são pessoas que acham que são hackers só porque têm os programas certos no seu micro. São caras que nem sabem o que é stack, buffer, protocolo, OSI. Só sabem o que é IP e onde é o botão "crackear". E se acham hackers.
    Pois assim começou o que hoje é mania: desfiguração de sites. Depois do problema corrigido, a Microsoft ainda teve problemas com seu Internet Information Server, o IIS. Todas as versões do IIS têm problemas graves, e os kiddiez se aproveitam delas para defaces. Eles geram uma lista de IPs vulneráveis e dão um mass-deface, depois mandam para sites do gênero e ficam famosos. E nem sabem como aquilo foi feito.
    Segundo pesquisas recentes, o Brasil tem o maior número relativo de defaces. Em números absolutos, os domínios .br só perdem em número de invasões para os .com, mas os .com são muito mais numerosos. Isso coloca o Brasil no topo do ranking de defacers. Uma vergonha.
    Hoje o mundo está cheio de kiddiez. Você tropeça neles pelas ruas. Você vê eles nas filas do mercado. No laboratório de informática. No ônibus. Não existem mais hackers. Eles morreram. Só existem kiddiez. Garotos sem conhecimento, sem ética.
    Mas temos hackers em atividade ainda, hackers de verdade. Alan Cox, Linus Torvalds, Richard Stallman. Eles sim, são hackers e não precisam provar pra niguém. Não precisam sair por aí gritando: Eu sou hacker! para serem notados. Nem pixar sites para ter um nome na internet. Nem fazer vírus para saírem nos jornais. Só fazem o que precisa ser feito...
    E Mitnick volta à cena...


    Mauro "Thorium"
    Tecnologia em Informática - Unicamp

    Desculpem alguns equívocos de datas, nomes e acontecimentos, qualquer incorreção me avisem...

  4. #3
    Membro
    Info Conteúdo e Citações Jogos Mensageiros
    Registro
    Nov 2001
    Mensagens
    884
    Verdinhas
    0

    Vixe, resume isso ae em 1 parágrafo q eu leio

    []'s

  5. #4
    Membro Avatar de Megallanic
    Info Conteúdo e Citações Jogos Mensageiros
    Registro
    Apr 2001
    Mensagens
    5.367
    Verdinhas
    0

    Originalmente enviada por Snaiper
    Vixe, resume isso ae em 1 parágrafo q eu leio

    []'s

  6. #5
    Membro
    Info Conteúdo e Citações Jogos Mensageiros
    Registro
    Apr 2001
    Mensagens
    56
    Verdinhas
    0

    Pois eu li tudo e a maior parte não é novidade. Mesmo assim está muito bom, sempre aparece um detalhe novo e se mais tivesse mais eu leria, com certeza.

+ Responder Tópico Ir para o Fórum

Assuntos do tópico

Compartilhar

Permissões