• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      It's a Wonderful World (Galápagos)

      É muito comum neste hobby, ao apresentar um novo jogo para seu grupo, comparar alguma característica com outros já conhecidos. Cria uma familiaridade e diminui um pouco a ansiedade em aprender o novo conjunto de regras. Não se assuste se alguém apresentar It’s a Wonderful World como uma cópia direta de 7 Wonders.



      Além do tema de criar uma civilização (agora no futuro, não no passado) e o nome parecido demais, aquilo que mais assemelham os jogos é seu draft. Antes de qualquer análise mais profunda vamos concordar que, por mais engenhoso que sejam os designers de jogos, a mecânica de draft não foge muito do padrão – escolher uma carta e passar o resto para o outro jogador.

      Esta mecânica funciona e funciona muito bem ao criar uma profundidade em cima da pura estratégia dos jogadores e, por isto mesmo, costuma ser utilizada como mecânica auxiliar nos mais diferentes tipos de jogos. Por outro lado, é difícil se mostrar único quando se aposta nesta mecânica como a principal de seu jogo quando tantos outros fizeram a mesma escolha.



      Após o processo de escolha de sete cartas, os jogadores devem simultaneamente escolher o destino de cada uma delas. Elas podem ser destruídas para gerar diferentes cubos coloridos: sim, eles têm uma justificativa temática: ciência, energia, exploração, etc., mas invariavelmente você irá referi-los pelas suas cores; ou escolhidas para serem construídas. Para isto, como o leitor deve imaginar, deve-se utilizar os cubos provenientes da destruição das cartas.

      Quando qualquer carta é construída, vulgo teve todos os espaços de cubos preenchidos, ela vai para a área de produção de seu império e passará a gerar mais cubos que, sem surpreender ninguém, servem para construir ainda mais cartas.



      Traduz-se disto que It’s a Wonderful World, mais do que um jogo de civilização ou uma cópia barata de 7 Wonders, é um jogo de gerenciamento de cartas e cubos. Pega-se cartas para gerar cubos, pega-se cubos para construir cartas, constrói-se cartas para gerar ainda mais cubos que servem para construir ainda mais cartas.

      Eventualmente algumas delas geram pontos, seja diretamente ou por oferecer pontos baseados na quantidade de cartas construídas. Aos poucos seu jogo vai direcionando para um caminho de pontuação.



      Dito isto, se o raciocínio ininterrupto do draft lhe atrai, assim como a matemática de prever quantos cubos você terá para saber quais cartas conseguirá construir, It’s a Wonderful World é um jogo limpo e direto, passando mais a sensação de um Imperial Settlers com o gerenciamento de recursos e cartas do que a evolução do império de 7 Wonders.

      Pontos positivos

      Bora começar? – Simples de explicar e rápido de jogar, It’s a Wonderful World é um jogo perfeito para dias que se quer jogar algo mais substancioso e recompensador, mas não se tem tempo para um euro médio.

      Em dupla – Draft costuma ser uma mecânica que não funciona muito bem para dois jogadores. Com uma adaptação simples de regra, It’s a Wonderful World não só funciona como não perde nada para partidas com mais jogadores.

      Pontos a considerar

      Tudo junto e misturado – Não há eras aqui, uma carta pesada de pontuação pode aparecer logo no primeiro turno e a escolha de arriscar fica por conta do jogador. Isto favorece bastante jogadores mais experientes.

      Draft e matemática – Enquanto um novato pode sair satisfeito de sua primeira partida de Sushi Go ou 7 Wonders, a interação das cartas com cubos pode fazer um novato no hobby ficar sobrecarregado com suas escolhas na primeira partida de It’s a Wonderful World.

      Pontos negativos

      Perdi meu império – Um tema pode ser importante para alguns e desnecessário para outros, mas It’s a Wonderful World parece se esforçar em não emplacar tema algum. Sua natureza matemática contribui ainda mais para criar um jogo árido mesmo nas mentes mais férteis. É um jogo de cubos e multiplicação, não de construção de impérios.

      Copia, mas não faz igual – Com uma mecânica tão simples e pura e tão próxima a jogos muito mais consagrados, It’s a Wonderful World pode acabar sendo esquecido, ou ainda pior, lembrado apenas como mais um entre outros.



      Consideração final: Não é mais do mesmo, mas suas características próximas a outros jogos fazem It’s a Wonderful World ter um público muito específico. É um ótimo jogo, pois sua base é muito boa, mas sua arte genérica e sua completa falta de tema irá afastar todos que não conseguem ter prazer apenas com a manipulação matemática dos diversos cubos coloridos.
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