• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Lhama (PaperGames)

      Dizer que o alemão Reiner Knizia, autor de Lhama, é um prolixo autor de jogos de tabuleiro é chover no molhado. Com quase 600 títulos cadastrados em seu nome no portal do BGG, incluindo algumas expansões, ele é autor de clássicos como Tigris & Euphrates, Samurai e Modern Art, mas também jogos sobre Sudoku para crianças.

      E isto define bem o que é ter uma caixa com seu nome grafado. Pode ser um jogo digno de estar entre os melhores da coleção ou de criar a dúvida na mente de todos da mesa: “por que estou perdendo meu tempo jogando isto?”.


      Imagem retiradas do BGG.


      Alguns acusam Knizia de criar em cima do jogo dos outros ou até dele próprio, Lord of the Rings: O Confronto é uma versão revisada de um outro jogo dele que nada mais é do que uma evolução do clássico Stratego (Combate, para nós no Brasil). Numa primeira vista Lhama parece exatamente isto: mais uma versão do clássico Uno, de 1971. Sabe? Aquele que todo mundo joga errado?

      Em Lhama existem 7 cartas diferentes, 6 tipos numeradas de 1 a 6 e um último tipo com a tal da lhama. Na vez do jogador ele deve colocar uma carta idêntica ao número da pilha ou uma superior, sendo a lhama aquela que faz o link entre o 6 e o 1. Não, ela não é um coringa. Caso não possua o jogador pode comprar uma nova carta do monte e esperar uma melhor sorte no próximo turno ou passar e contabilizar os pontos negativos.


      Imagem retiradas do BGG.


      A rodada termina quando algum jogador se livrar de todas as cartas ou todos passarem. Cada tipo de carta que sobrou na mão dos jogadores dá pontos negativos, então se um jogador ficou com as cartas 2, 4 e 5, perderia 11 pontos, já se outro jogador ficou com quatro cartas 3, são perdidos apenas 3 pontos. A lhama vale 10 pontos negativos.

      Ao jogador que conseguiu se livrar de todas as cartas, além de gerar xingamentos de todos da mesa, também consegue se livrar de uma ficha de pontos negativos (que pode ser a branca de valor um ou a preta de valor dez).

      O jogo acaba quando algum jogador fizer 40 pontos negativos, o que pode ocorrer até com certa facilidade. Aquele que tiver menos pontos negativos vence o jogo.

      Um jogo simples, diferente o suficiente de Uno para não ser processado, simpático o suficiente para agradar crianças e idosos e com um mínimo de estratégia.


      Imagem retiradas do BGG.

      Pontos positivos

      Simples e rápido – Perde-se no máximo 3 minutos explicando Lhama e joga-se em 10, 15 minutos. Ótimo para reuniões de família ou mesmo entre jogos mais pesados.

      Envolvente – A mesa dificilmente ficará séria quando algum jogador terminar sua mão mais cedo ou outro tiver azares consecutivos. É, no final das contas, um jogo divertido de participar para todas as idades.

      Pontos a considerar

      Quantos na mesa? – Lhama é um jogo que brilha com 4 ou 5 pessoas na mesa. Menos do que isto fica burocrático, em 6 se torna completamente caótico. Em dois jogadores prefira o ótimo Lost Cities do mesmo autor e, também, lançado no Brasil.

      Sem dedo no olho – Se a maldade presente em Uno é demais para o seu grupo, Lhama possui uma partida rápida e divertida para qualquer pessoa que já conhece os números, com um pouco de estratégia, o suficiente para não achar que está sendo jogado pelo jogo.


      Imagem retiradas do BGG.


      De quem é a vez? – As rodadas de Lhama são rápidas e divertidas, mas são interrompidas pela necessidade de embaralhar muito bem todas as cartas o que pode acabar testando a paciência se for apenas um o encarregado da tarefa.

      Pontos negativos

      Cores demais – Era difícil em 2016, 2017 não ser fã da PaperGames. Enquanto outras empresas buscando trazer jogos grandes traziam inúmeros problemas em sua produção, a PaperGames entregou bons títulos em sequência. Mas, assim como Bandido, a qualidade da produção em Lhama está baixíssima. As fichas todas em tamanhos diferentes e as cartas com diferentes tonalidades não deveriam mais fazer parte de lançamentos no país.

      Uno na prateleira – É possível argumentar que Lhama é um jogo melhor que Uno, menos agressivo entre os jogadores, até mais estratégico. Por outro lado, custa 5x mais pela metade das cartas e as péssimas fichas de plástico. Sim, é impossível comparar o tamanho de vendas de Uno da Copag, com Lhama da PaperGames e por isto a diferença do preço. Mas, por jogos tão similares, é difícil argumentar a favor de Lhama.

      Consideração final: Com um preço alto pela qualidade dos componentes, Lhama é o típico jogo que aqueles do hobby vão tentar introduzir novas pessoas pela sua simplicidade e jogabilidade divertida. Corre-se o risco, entretanto, de ouvir um “prefiro Uno” e perder a oportunidade de apresentar algo mais interessante. No final das contas é um “bom Uno para pessoas que não querem jogar Uno”.
      Comentários 2 Comentários
      1. Avatar de danielsantos60
        Recentemente vi um gameplay do Lhama. Parece ser divertido mas, como foi falado no texto, nada justifica o preço.E vc pode substituir o jogo facilmente por dois baralhos normais de cartas, só usar as cartas de 1 a 6 e o rei no lugar da Lhama, não vai ter diferença nenhuma na jogabilidade ou regras em relação ao original.E qualquer coisa pode substituir as fichas originais, desde as bonitas fichas de poker, aos tradicionais grãos de feijão e milho.
      BEST_ANSWER_PLACEHOLDER
      1. Avatar de Rodrigo Guerini
        Citação Citando danielsantos60 Ver mensagem
        Recentemente vi um gameplay do Lhama. Parece ser divertido mas, como foi falado no texto, nada justifica o preço.E vc pode substituir o jogo facilmente por dois baralhos normais de cartas, só usar as cartas de 1 a 6 e o rei no lugar da Lhama, não vai ter diferença nenhuma na jogabilidade ou regras em relação ao original.E qualquer coisa pode substituir as fichas originais, desde as bonitas fichas de poker, aos tradicionais grãos de feijão e milho.
        Até que ponto a arte do jogo interfere na experiência da partida?

        Apenas perguntando mesmo, mas será que o interesse dos jogadores nesta versão adaptada seria o mesmo do que com as cartas originais?
      Para comentar por favor registre-se.