• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Azul: Pavilhão de Verão (Galápagos)

      A influência do primeiro Azul é inquestionável. É daqueles raros casos que conseguem ultrapassar a fronteira do mercado de nicho dos entusiastas de jogos de tabuleiros e passa para o público em geral, como já fizeram Catan e Ticket to Ride nas últimas décadas e, antes deles, Risk/War e Monopoly/Banco Imobiliário.



      Vindo de uma editora relativamente pequena, foi óbvio o objetivo de criar produtos relacionados a esta nova marca. Em 2018 tivemos Azul: Vitrais de Sintra que manteve o draft inicial, marca registrada do primeiro jogo, mas alterou a pontuação, o que deu um ar de coisa nova a “velha” fórmula. Finalmente, em 2019 – este ano no Brasil - foi lançado Azul: Pavilhão de Verão.

      A estrutura inicial do jogo se manteve: o jogador continua escolhendo um tipo de peça no centro da mesa, alterando não só o seu jogo, mas influenciando profundamente as escolhas dos próximos jogadores. A introdução da peça coringa é uma interessante adição, embora distancia Pavilhão de Verão da fluidez do jogo original.



      Se neste primeiro momento pode parecer que a nova versão é apenas uma modificação simples do jogo original, é na segunda parte que Pavilhão de Verão mostra sua verdadeira feição.

      A segunda fase adiciona todo um processo de alocação das peças conseguidas no draft inicial para a pontuação. Enquanto nos jogos anteriores bastava, simplesmente, colocar as peças no tabuleiro pessoal e pontuar, aqui este processo é feito aos poucos, já que até estas decisões influenciam os outros jogadores na conquista das peças bônus do tabuleiro central.



      Este processo adiciona uma nova camada de raciocínio ao original – que apesar de simples em termos de regras já possuía a sua profundidade. Em contrapartida esta adição eleva também o tempo de partida.

      Enquanto era possível concluir uma disputa do Azul em menos de 20 minutos, quando jogado em dupla, serão necessários por volta de 40 minutos para concluir uma partida de Azul: Pavilhão de Verão, podendo se estender ainda mais para novatos na mesa. Este tempo já se aproxima da marca de uma hora, o que pode levar alguns a considerar jogar algo mais substanciosos do que um mero abstrato de azulejos.



      Pontos positivos


      A terceira é a que vale
      – Gosto é relativo, claro, mas pode-se argumentar que o Pavilhão de Verão é o melhor das três versões de Azul. Independente do gosto pessoal, é importante notar que a qualidade do jogo não diminuiu apenas para servir a marca e vender produtos.

      Único o suficiente
      – Apesar de ser possível traçar toda a influência do original nesta versão eles são jogos diferentes o suficiente, o que pode assegurar um espaço para ambos na coleção.

      Pontos a considerar

      Tempo
      – Além de duplicar o tempo de jogo, a segunda fase adiciona um novo momento de pensar para todos os jogadores da mesa o que pode causar um downtime considerável, principalmente para aqueles que estavam acostumados com a rapidez das ações do original.



      É Azul
      – É novo, é diferente, mas ainda é Azul. Se o draft de peças não lhe chamou a atenção no primeiro, não há nada de completamente novo aqui.

      Ponto negativo


      Faltou elegância – O primeiro Azul está se tornando um clássico pois é simples em regras, mas acompanha qualquer tipo de mesa, desde novatos buscando uma diversão rápida até jogadores calejados querendo extrair o máximo de possibilidades. Pavilhão de Verão tem mais etapas, mais características, o que lhe torna voltado ao segundo grupo. Discutivelmente é um jogo melhor que o original, mas não terá a capacidade de se tornar um clássico como o primeiro.

      Consideração final:
      Azul Pavilhão de Verão apela mais aos jogadores de Azul que querem algo novo, quase como uma bem-feita expansão do original, do que a jogadores que não conhecem o produto. Apesar de inúmeros argumentos possíveis para considerá-lo um jogo melhor é difícil imaginar a possibilidade de apresentá-lo antes que o seu antecessor.
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