• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Quadropolis (Galápagos)

      A base de todos os simuladores de cidade (e agregados) tem como base o original SimCity, de Will Wright: colocar determinados edifícios próximos a outros lhe dão bônus ou ônus. Como um gigante quebra-cabeça, os jogadores devem manejar o que e onde construir para ganhar mais do que perder.

      Quando transposto para os jogos de tabuleiro esta ideia esbarra no limite do desejo humano de ficar fazendo contas se determinada construção é melhor aqui ou acolá. Um ótimo exemplo de como isto foi resolvido é com Suburbia, uma boa mistura entre a estratégia presente nas versões eletrônicas sem as complicações de ficar microgerenciando cada aspecto do jogo.



      Quadropolis leva esta simplificação mais ao extremo retirando quase todo o gerenciamento e focando quase que absolutamente na localidade onde o jogador escolhe posicionar uma peça. Caso buscasse ser a experiência definitiva em construção de cidade no ambiente analógico teria sido uma tentativa fracassada. Mas não é a isto que ele se propõe e, exatamente por isto, é uma experiência agradável tanto para jogadores novatos quanto para aqueles que até estariam dispostos a algo mais profundo.

      Há dois momentos diversos e interligados em uma partida de Quadropolis. O primeiro é a forma de escolher a peça para o seu tabuleiro, onde as escolhas dos jogadores ditam o que pode e o que não pode ser escolhido naquele turno, algo que ao mesmo tempo pode ser interessante ao observar o jogo dos outros e tomar uma boa decisão, mas pode ser frustrante quando nada do que interessa está disponível.



      O segundo momento, mais simples, é o de colocação das peças no próprio tabuleiro. Esta ação é ditada pela maneira como você fez a primeira ação, restando poucas opções de escolha nesta etapa.

      Em quatro rodadas (com quatro turnos cada) o jogo se encerra. Os jogadores devem organizar seus habitantes e cilindros de energia de forma a conseguir a maior quantidade de ativações evitando perder pontos. Quem tiver mais pontos, ganha.



      Pontos positivos

      Cuidando da minha vila – Apesar de rápido e simples, no término da partida há a sensação de ter construído algo.

      Até o irmão mais novo – Além do modo Expert – que é simples e a verdadeira maneira como deve ser jogado, Quadropolis conta também com um modo normal para colocar qualquer um na mesa sem passar a impressão de que está se jogando algo idiota.

      Pontos a considerar



      Feio, mas arrumadinho – Quadropolis é a definição perfeita de bonitinho. Os meeples, peões e cilindros translúcidos são belíssimos, mas o s tiles são ok, facilmente identificáveis do outro lado da mesa, mas apenas ok. Sendo um jogo originalmente da Days of Wonders dá uma certa decepção quando comparamos aos belíssimos Five Tribes ou Yamatai.

      É uma... cidade Você constrói uma cidade, mas poderia ser um parque, um zoológico, uma vila, uma prisão. O que vale são os pontos e é até aí onde se estende o tema.



      Pontos negativos
      Cidade da infância – Sem aleatoriedade nas peças que entram no jogo, não há uma grande diversidade de estratégias. Duas pessoas podem querer jogar o mesmo jogo e ter resultados muito parecidos à partida anterior.

      Dentre tantas opções... – Há uma grande possibilidade de não haver escolhas boas (ou mesmo qualquer escolha) a serem feitas no último turno de cada rodada. Isto, apesar de aumentar o interesse na construção que lhe dá o primeiro jogador pode ser frustrante para o jogador que está posicionado a direita do primeiro jogador.



      Consideração final: Para um jogo rápido de construção de cidades, agradável aos olhos e com alguma estratégia é difícil não recomendar Quadropolis. Mas se o desejo era de uma experiência SimCity analógica, o grupo pode sair decepcionado com a simplicidade.
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