• O autor

      Rodrigo Guerini é historiador, professor, autor do blog SanroJoga e redator de jogos para a hardMOB.

      Jaipur (Galápagos)

      Jaipur é um daqueles clássicos casos de um jogo que não tem o direito de ser tão bom quanto é. Mas ele não se importa com isto e diverte mesmo assim.



      Prova disto que mesmo sendo um jogo com mais de dez anos do lançamento original ainda chamou atenção ao ser lançado finalmente no Brasil, com sua nova arte. Mesmo com as boas opções que já encontramos no nosso mercado para jogos rápidos e exclusivos para dois jogadores, Jaipur ainda se mostra relevante, mais do que isto, tão bom quanto os melhores.

      As regras simples ajudam em muito ao torná-lo um jogo que se pode colocar em qualquer lugar a qualquer hora. Apesar de um pouco mais de componentes que apenas as cartas (o que ajuda na sensação de estar se jogando algo a mais), Jaipur possuem regras de fácil entendimento que podem ser explicadas durante a preparação. É sentar e jogar.



      Em Jaipur os jogadores competem por pontos em formato de fichas de mercadorias, para consegui-las eles devem antes selecionar as cartas com os símbolos correspondentes no centro da mesa. Simples, porque estas são as duas ações possíveis no jogo: pegar carta(s) de mercadoria(s) do centro da mesa ou trocá-las por pontos de vitória.

      Aquilo que impede o jogador simplesmente trocar imediatamente uma carta por uma mercadoria valiosa são os bônus para quando isto é feito em maiores quantidades. Ao trocar cinco produtos iguais pode se ganhar 10 pontos bônus, o suficiente para virar uma partida acirrada.

      E claro, os produtos mais valiosos (prata, ouro e joias) são cobiçados por ambos os jogadores, fazendo da mera aparição de suas cartas no centro da mesa um evento. Assim como também é um evento pegar os camelos que servem para a troca de mercadorias.

      Extremamente valiosos, os camelos não ocupam o limitado espaço nas mãos (de 7 cartas), mas ao pegá-los no centro da mesa corre-se o risco de abrir uma coleção completa de cartas valiosas para o outro jogador, já que não se pode pegar uma única carta de camelo, mas todas disponíveis.



      São estas decisões, pequenas decisões com consequências consideráveis que transformam um pequeno “joguinho” em um jogão. Numa partida de menos de 15 minutos (entre montar e desmontar) em que se sai satisfeito por utilizar estratégias em todas as jogadas. Como não recomendar?

      Pontos positivos

      Pequenas decisões, grandes jogadas – Jaipur está cheio de decisões que impactam fundamentalmente no resultado do jogo, mas são decisões rápidas que não criam a odiosa paralisia de análise. Ao mesmo tempo o resultado no final da partida é a conclusão de todas estas decisões.

      Sorte na medida certa – Toda vez que você pega uma carta no centro – ação fundamental para criar uma mão cheia de bons produtos, você abre a possibilidade de seu adversário fazer algo ainda mais lucrativo. Há formas de evitar que isto aconteça, mas será que não vale a pena arriscar? Decisões!

      Pontos a considerar

      Específico – Jaipur é um jogo rápido para 2 jogadores. Isto faz com que ele ocupe uma categoria muito específica. Não necessariamente na coleção de todos.



      Somos amigos, não? – É comum que jogos entre dois jogadores haja um confronto direto e aberto; muitos jogadores procuram isto. Apesar de haver confronto em Jaipur ele é sutil e dificilmente os jogadores se sentem pessoalmente atacados pela ação do outro jogador.

      Pontos negativos

      Bora arrumar? – Para um simples jogo de cartas, há uma certa demora em arrumar as fichas e ajeitar o baralho principalmente em duas partidas seguidas, já que as fichas ficam todas misturadas na contagem de pontos e é preciso embaralhar muito bem as cartas. Considerando que as regras demandam uma partida de melhor de 3, é possível que se gaste um tempo precioso apenas organizando a mesa para a próxima partida. É rápido, mas não tanto quanto um jogo puro de cartas.



      Tão simples que não é único – Jaipur é tão simples e efetivo em seu design que há outros jogos que bebem da mesma fonte. Há uma semelhança considerável de Jaipur com Splendor e Century: Rota das Especiarias. Apesar de seus ‘concorrentes’ serem mais caros e ocuparem mais espaço, eles abrem a possibilidade para mais jogadores na mesa com regras tão simples quanto.

      Consideração final: Num mercado com inúmeras possibilidades para dois jogadores, Jaipur é simples, sem ser simplista. Se o fato de ser apenas para dois jogadores não for um impedimento há poucas razões para não se recomendá-lo.
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